Marca de Terra | 2020 - atual
Marca de Terra é uma intervenção em campos de monocultivo de milho que tensiona as relações entre paisagem, propriedade e disputa territorial no Brasil. O trabalho insere placas com uma marca fictícia em meio à vastidão dos latifúndios agrícolas, denunciando como a terra, historicamente grilada, segue sendo apropriada, padronizada e convertida em mercadoria.
As placas utilizadas no projeto fazem referência direta às marcas e logotipos de insumos agrícolas, patentes de sementes e tecnologias associadas ao uso intensivo de agrotóxicos — símbolos que dominam o imaginário visual das áreas rurais tecnificadas. A criação de uma marca fictícia evidencia como o poder corporativo sobre o campo não se limita ao cultivo ou à produtividade, mas se estende ao próprio controle genético das sementes, ao monopólio de tecnologias e à imposição de um discurso visual que transforma a paisagem em extensão das grandes multinacionais do agronegócio.
A intervenção traça um paralelo entre esse controle corporativo e a velha prática da grilagem, ainda vigente no país. Marca-se o solo com logotipos e patentes, assim como se marca a terra com cercas, documentos forjados e processos de expropriação. Ao infiltrar uma marca inexistente nesses campos, o trabalho ironiza e denuncia o conluio entre os monopólios agrícolas e a lógica fundiária baseada na acumulação, na expulsão e na concentração territorial.








